Hilary é uma labradora preta com pêlos bem brilhantes. A foto foi tirada de frente dela, aparece bem o rosto e parte do equipamento de guia, ela está olhando levemente para a esquerda da foto

Hilary

A Hilary, uma labradora preta, chegou em minha vida no dia 11 de março de 2014 após 04 anos de espera. Ela veio através do Projeto Cão-Guia do Sesi SP em parceria com o Instituto IRIS. O projeto contemplou 9 deficientes visuais, 03 cães foram entregues na primeira fase do projeto e os demais, minha turma, foram entregues poucos meses depois. Eu era a única mulher no meio de 7 homens (5 novos usuários de cães-guia e 2 instrutores), nunca ri tanto na minha vida como nesse treinamento, foi muito divertido e lembro com saudades desses dias!

Ficamos 15 dias hospedados no Novotel Morumbi para a primeira fase de adaptação. Nessa etapa são dias bem intensos de treinamento, pois precisamos aprender a “enxergar” com os olhos dos cães (aprender a ser guiado por eles, confiar totalmente neles, pois nunca sabemos do que estão desviando e o que têm a nossa frente), aprender a usar o equipamento (arreio), os comandos. O cão precisa se adaptar com a gente e nós com eles. Parece ser fácil, mas não é, pois existe vários sentimentos envolvidos e nessa etapa muitas pessoas acabam desistindo, confesso que pensei em desistir, não nessa etapa, mas depois que voltei para casa, ainda bem que sou persistente e continuei insistindo!

Os dois primeiros dias no hotel foi para aprendermos algumas lições básicas como cuidados com o cão, conhecer o equipamento, os comandos, interação com o grupo e só no terceiro dia recebemos os cães.

Um amigo, cansado de esperar dentro do quarto resolveu pregar uma peça na galera que nem estava ansiosa com o momento. Saiu batendo de porta em porta (ficamos todos no mesmo andar, cada um em um quarto individual), quando abri a porta escutei um arfar de cachorro vindo de baixo, como tenho baixa visão achei estranho porque só ouvi o arfar e não vi ninguém, pensei que não deixariam o cão em frente ao quarto e sairiam, ao olhar para baixo lá estava o bonito abaixado fingindo ser um cachorro e teve gente que caiu!!! kkkkk

Após a brincadeira e mais algumas horas de espera dentro do quarto, a Hilary entrou igual um furacão, o instrutor simplesmente me deu a guia dela e saiu, nessa hora veio o nervosismo, pois sabia que a partir daquele momento minha vida nunca mais seria a mesma. Eu achava que ela nunca gostaria de mim porque sempre que ia fazer carinho ela virava, tirava a cabeça, nem ligava para mim. Nossa, ficava tão triste com isso, mas aos poucos fui conquistando a fera e hoje ela é mais carinhosa, não é aquele cão que fica pedindo carinho, mas adora um carinho na barriga. Com o tempo fui percebendo que ela tem a personalidade bem parecida com a minha, não irei detalhar aqui senão me entrego, só direi uma coisa, é ansiosa igual a mim!

No começo a Hilary andava muito rápido e como ainda não confiava nela, morria de medo de bater em alguma coisa, ficava com o braço tenso tentando reduzir a velocidade, fiquei até mais musculosa no braço esquerdo (eles ficam do nosso lado esquerdo). Agora que quero que ande rápido ela se acostumou a andar devagar, difícil…rs

Ela mudou totalmente a minha vida, digo que é como ter um filho, preciso me preocupar com as necessidades de outro ser vivo, alimentação, banho, escovar dentes, pelo, brincar, levar ao banheiro. Aposentei minha bolsa e agora só ando de mochila, pois carrego potinho para água e ração, comida, capa de chuva, biscoitinhos, além da documentação que precisamos sempre carregar. Tirando os cuidados básicos, fez com que eu tivesse autonomia novamente, melhorou autoestima, independência, além do carinho, de nunca estarmos sozinhos e da aproximação das pessoas.

O cão-guia tem livre acesso em todos os ambientes, menos UTI e centro de queimados. Para viajar ela embarca sempre comigo no avião e ônibus, viaja deitada nos meus pés sem incomodar ninguém (ela é meio espaçosa e as vezes ocupa um pouco o espaço do assento ao lado).

Como sou apaixonada por viagens, Hilary já andou em todos os meios de transportes possíveis (barco, avião, ônibus, trem, carro). Quando andei de barco a primeira vez com ela fiquei com medo dela querer pular no mar pois  AMA água, mas foi super tranquilo.

Outra coisa que puxou a mim, adora avião e viajar!

Algumas recomendações para quando encontrarem algum cão-guia, nunca brinque com ele, a não ser que o dono autorize, não é porque somos chatos, mas ao distrair o cão podem nos deixar em alguma situação de perigo, ele precisa estar sempre concentrado ao nos guiar. Leia mais em Como agir com um cão-guia.

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Algumas reportagens sobre a entrega dos cães

Sesi SP entrega oficialmente 9 cães-guia para deficientes visuais

Veja SP – Sesi SP doa 9 cães-guia para deficientes visuais

9 cães passam no vestibular para mudar rotina de cegos em SP

Sesi SP entrega 9 cães-guia (vídeo)

 

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